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Análise: Corinthians mostra repertório de novo, mas sofre com falta de controle diante do Boca

Estratégia de Vítor Pereira funciona no início, mas Timão recua excessivamente depois do gol, não consegue reter a bola e demonstra nervosismo em empate em 1 a 1 na Bombonera

O Corinthians demonstrou valentia e repertório tático no empate em 1 a 1 com o Boca Juniors, nesta terça-feira, na Bombonera, mas faltou controle. De bola e emocional.

O saldo final é positivo. A equipe de Vítor Pereira volta para o Brasil com a classificação para o mata-mata da Libertadores encaminhada, após conquistar um ponto em duelo contra adversário tradicional, num estádio mítico e tendo jogado por mais de 20 minutos com um homem a menos. Mas a partida na Argentina pode ser ainda mais valiosa se o Corinthians tirar lições dela.

Mesmo com limitações técnicas e táticas, os argentinos foram acuando o Corinthians aos poucos e exerceram enorme pressão dos 37 minutos do primeiro tempo até os 10 do segundo, quando Vítor Pereira fez três modificações e recolocou a equipe no jogo.

A reação durou pouco, já que o Timão começou a se envolver em seguidas confusões com jogadores do Boca até que Cantillo e Vítor Pereira levaram cartão vermelho. As expulsões aumentaram o sofrimento, mas poderiam ter custado ainda mais caro se os xeneizes conseguissem o segundo gol. Inteligência emocional é um dos atributos necessários para conquistar a Libertadores.

Com apenas uma finalização (a do gol) e 146 passes completos, o Corinthians não teve uma grande atuação coletiva. Individualmente, há poucos destaques, como Cássio, Fábio Santos e Du Queiroz. Mas ainda assim é possível tirar pontos positivos da atuação na Bombonera.

A versatilidade dessa equipe talvez seja a principal delas. Quando a escalação alvinegra foi divulgada, não era possível saber qual seria o desenho tático adotado. Lucas Piton jogaria à frente de Fábio Santos, na linha de meias? Robson Bambu seria zagueiro ou lateral? Quando a bola rolou, o que se viu foi o Timão com uma linha de cinco jogadores na defesa, e Willian, Jô e Gustavo Mosquito incomodando a saída de bola adversária.

Note: o Corinthians foi para um confronto desse porte com Gil, Renato Augusto, Giuliano e Róger Guedes no banco de reservas. Por mais que o desempenho ainda tenha oscilações e equipe não encha os olhos na maior parte do tempo, a sequência de sete jogos de invencibilidade indica que o rodízio promovido por Vítor Pereira tem sido um sucesso.

Voltando à análise do jogo, a estratégia corintiana funcionou em boa parte do primeiro tempo. Com um cinturão à frente da área, o Timão não permitia infiltrações do Boca. Em muitos momentos, os argentinos apelavam para lançamentos longos, e os velozes zagueiros alvinegros levavam a melhor.

Porém, quando o trio de frente não conseguiu mais dificultar a iniciação de jogadas dos argentinos, as coisas se complicaram. Muito recuada, a equipe de Vítor Pereira ficou suscetível a erros. Em um deles, de Bambu, Salvio tirou tinta da trave de Cássio. Em outro, de Raúl Gustavo, o Corinthians levou o empate. O zagueiro espanou um corte de bola, Maycon perdeu disputa pelo alto, e Benedetto não perdoou.

Com as entradas de Cantillo, Renato Augusto e Mantuan, Vítor Pereira desfez a linha de cinco defensores e tentou ganhar o meio de campo. Porém, em desvantagem numérica a partir dos 21 minutos, coube ao Timão mais guerrear do que jogar – e nesse aspecto a equipe foi praticamente irretocável.

Duelos como esse ajudam a criar casca e dar identidade aos times. Praticamente sem tempo para treinamentos, o Corinthians precisará ir evoluindo a partir dos jogos e das experiências vivenciadas em cada um deles. Domingo, o líder do Brasileirão já terá outro duro desafio pela frente, no clássico contra o São Paulo, em Itaquera.

Fonte: GE

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