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China inicia exercícios militares inéditos em torno de Taiwan, bloqueando acesso à ilha

Maior manobra já realizada na área inclui lançamento de mísseis balísticos e deve durar até o domingo; iniciativa foi anunciada como represália à visita da presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi

As Forças Armadas chinesas iniciaram nesta quinta-feira exercícios militares com munição real em torno de Taiwan, nas maiores manobras de guerra já realizadas pela China na região, representando na prática um bloqueio naval e aéreo da ilha autogovernada que Pequim considera parte integral do seu território.

Os exercícios começaram à 12h locais (1h no Brasil) e vão durar até as 12h de domingo (13h no Brasil), segundo a emissora estatal CCTV. Eles foram anunciados há dois dias, em represália à visita a Taiwan da presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, que a China considerou uma violação da sua soberania e um estímulo à independência da ilha.

“Durante esses exercícios de combate reais, seis zonas principais ao redor da ilha foram selecionadas e, nesse período, todos os navios e aeronaves não devem entrar nas áreas marítimas e no espaço aéreo relevantes”, informou a CCTV. Umas das áreas fica a apenas 20 quilômetros de Kaohsiung, a principal cidade do Sul de Taiwan.

Nas redes sociais, imagens de radar foram compartilhadas mostrando o sobrevoo de duas aeronaves na costa sul de Taiwan, separada do território continental chinês por um estreito que em sua largura máxima tem 180 quilômetros de extensão.

De acordo com autoridades de Taiwan, 11 mísseis balísticos Dongfeng foram disparados em águas que Taipé define como suas, ao norte, sul e leste da ilha, na primeira vez em que projéteis chineses sobrevoaram o território.

Em dois comunicados curtos, o Comando Leste do Exército de Libertação do Povo sugeriu que as manobras terminaram por hoje. Os comunicados confirmam o lançamento de múltiplos mísseis, em “ataques de precisão” em “áreas específicas” do Estreito de Taiwan.

“Todos os mísseis atingiram o alvo com precisão, testando os ataques de precisão e o domínio da área. Toda a missão de treinamento com munição viva foi completada com sucesso, e os controles relevantes do espaço aéreo e naval foram suspensos”, dizem os comunicados.

As autoridades taiwanesas chamaram as ações de “irracionais” e de “ameaça à paz”. Elas disseram que estão monitorando de perto os exercícios militares da China e que suas forças estão se preparando para um conflito, mas não vão tomar a iniciativa.

“O Ministério da Defesa Nacional sustenta que manterá o princípio de se preparar para a guerra sem buscar a guerra, com a atitude de não escalar o conflito ou causar disputas”, disse a pasta em comunicado.

Hoje, mais de 40 voos de e para Taiwan foram cancelados, segundo o jornal local China Times, mas o aeroporto de Taipé informou que os cancelamentos “não necessariamente” tem a ver com os exercícios chineses. Ainda não há informações sobre o impacto na navegação.

Enquanto isso, a Marinha dos EUA divulgou que o porta-aviões USS Ronald Reagan estava realizando operações programadas no Mar das Filipinas, no Pacífico Ocidental, um trecho de 5,7 quilômetros quadrados de oceano, que inclui águas ao sudeste de Taiwan .

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